Dia da Marinha Mercante

DIRETORIA DE PORTOS E COSTAS

Rio de Janeiro, RJ. Em 28 de dezembro de 2005.

ORDEM DO DIA Nº3/2005

Assunto: Dia da Marinha Mercante.

Celebramos hoje o Dia da Marinha Mercante Brasileira, data em que os homens do mar reverenciam a figura de Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, figura ímpar na história de nossa Marinha Mercante.

Nascido em 28 de dezembro de 1813, teve contato com o mar desde seus primeiros anos de vida. Órfão aos 5 anos de idade, foi criado por um tio, Comandante de um brigue mercante, com quem partiu de Arroio Grande, sua cidade natal, para o Rio de Janeiro onde chegou com apenas nove anos de idade.

Inteligente e capaz, trabalhou como balconista e caixeiro sem descuidar de seus estudos. Assim, aprendeu Inglês, Contabilidade e Prática Comercial e, já aos 23 anos, se tornava gerente da firma de comércio e importação em que trabalhava. Por sua competência e dedicação, acabou se tornando sócio da mesma, contribuindo decisivamente para seu crescimento.

Após 27 anos, viajou para a Europa, tendo oportunidade de observar, na Inglaterra, as grandes mudanças técnicas que ocorriam naquela época, marcando o início da industrialização européia.

De volta ao Brasil, montou serralherias, companhias de iluminação, de transporte de passageiros (bonde), de telégrafo submarino, ferrovias e um estaleiro, lançando, assim, as bases da construção naval no país.

Em 1846, após um ano de atividades, o estaleiro da Ponta da Areia, criado por Mauá em Niterói, transformou-se na maior indústria do Brasil.

Sabedor da importância do Comércio Marítimo para o nosso desenvolvimento, criou companhias de navegação a vapor no Rio Grande do Sul e no Amazonas.

É tempo de lembrar do espírito empreendedor do Barão de Mauá. Não podemos nos descuidar da formação e do preparo de profissionais do mar. A perspectiva de ampliação de nossa frota mercante gera, de imediato, a necessidade de ampliarmos a formação da mão-de-obra correspondente. E isto está acontecendo de forma lenta.

Os recursos escassos alocados para o setor poderão colocar em risco a garantia de tripulações nacionais. Precisamos ampliar nossos esforços. Precisamos contemplar o mar e toda economia que pode suscitar.

Olhemos para o exemplo do Barão de Mauá investindo não apenas na construção naval mas, sobretudo, na formação e preparo dos tripulantes de nossas futuras embarcações, para que tenhamos no futuro um desenvolvimento do nosso comércio internacional, por meio de uma Marinha Mercante, compatível com a grandeza do Estado Brasileiro. 

MARCOS MARTINS TORRES 
Vice-Almirante
Diretor