Patrono da Marinha Mercante

Irineu Evangelista de Sousa, nascido em Arroio Grande (então Jaguarão) – RS, em 28 de dezembro de 1813, e falecido em Petrópolis – RJ, em 21 de outubro de 1889, é considerado, por muitos, como o maior brasileiro da história. Casado com uma sobrinha, teve 12 filhos.

Órfão de pai quando ainda criança, foi levado por um tio para a região de Limeira e Rio Claro - SP, em 1820, e daí para o Rio de Janeiro, em 1822, ano em que D. Pedro viria a proclamar a independência de nossa terra, em relação à corte portuguesa. Foi nesse clima de Brasil recém independente que Irineu mostrou toda sua virtude e sagacidade para os negócios.

O que era o Brasil de então?

Um país agrário, com extensas culturas de cana de açúcar e café, dentre outras. Havia pecuária e alguma mineração. Era praticamente um país litorâneo, pois apesar de seu gigantismo territorial, era quase totalmente desconhecido. São Paulo não passava de uma provinciana vila, quase esquecida nos altiplanos de Piratininga, enquanto o grande sertão de matas e cerrados era habitado por índios e animais silvestres.

Tudo estava por fazer e ser explorado, mas o avanço rumo a novas fronteiras era lento. Eram poucos os “senhores da terra” que podiam contar com os parcos recursos da Coroa, no financiamento de novos empreendimentos.

Por outro lado havia o crônico problema de transportes rumo aos portos marítimos. Para enfrentar as grandes distâncias, tudo era feito através de tropas de mulas e carroças, em estradas de péssimas condições. Por estarem mal protegidas, e devido às intempéries, as mercadorias sofriam enormes perdas durante o trajeto. O problema se agravava quando tinha que ser vencida a quase indômita Serra do Mar.

Vencidos esses obstáculos, outro se afigurava – o grave problema de nossos portos, que mal passavam de precários ancoradouros. Não havia cais, e os veleiros ficavam ao largo, aguardando as mercadorias serem levadas por balsas, ou carregadas manualmente através de toscas passarelas de madeira.

Nesse clima de total primitivismo econômico ainda surgia problema maior. A elite econômica, toda agrária, pregava a vocação agrícola de nosso país, alegando que por estas paragens não havia lugar para industrialização, pois tudo o de que necessitávamos poderia ser fornecido pelos ingleses, que há muito tempo se encontravam em plena fase da revolução industrial.

Era justamente essa elite econômica que detinha o poder político junto à Corte, pois os grandes proprietários de terra tinham o privilégio em serem eleitos tanto nas províncias quanto no Senado Federal.

Além da grande massa populacional de escravos e colonos, alienados diante dos problemas nacionais, havia pequeno número de intelectuais, que visualizam algo maior para aquele Brasil estagnado. Em suas discussões acadêmicas, pouco ou nada, influenciavam em alterar o lento caminhar de nossa terra.

E foi nesse clima modorrento e tropical que veio a florescer o gênio e intrepidez do jovem Irineu. Com apenas 27 anos de idade viajou para a Inglaterra, e lá se encantou com a modernidade e os avanços tecnológicos, que transformaram aquele país no mais próspero de todos. Voltou para sua terra natal com a certeza de que era preciso transformá-la de nação agrária, em nação industrial, pois sem este avanço ficaríamos estagnados no tempo. Era imperioso transpor o abismo entre o passado obscuro e um futuro revolucionário e de luz.

Ao chegar à nossa terra deparou-se com a coroação de D, Pedro II, e sob o manto deste monarca exerceu toda sua carreira como o mais brilhante dos brasileiros.

É difícil estabelecer qual sua obra primordial: a navegação no Rio Amazonas; o cabo telegráfico submarino para a Europa; o canal do mangue no Rio de Janeiro; o trecho inicial da rodovia União e Indústria; o estaleiro da Ponta da Areia; a iluminação a gás da capital federal; a siderurgia; o sistema bancário; os empreendimentos ferroviários, e tantos outros.

Toda sua obra, em seu devido tempo e lugar, se revestiu de grande importância, mas uma delas haveria de mudar o destino de nosso país: A ferrovia SPR – The São Paulo Railway Company, unindo o porto de Santos à cidade de Jundiaí.

Irineu obteve junto ao Imperador a concessão para sua construção e, associado aos ingleses, assinou o contrato em 1856, pelo prazo de 90 anos e, em toda sua existência, a ferrovia, com apenas 139 kilometros de extensão, mudou, até os dias de hoje, o eixo econômico brasileiro para as terras paulistas. Por seus trilhos desceu nossa riqueza maior – o café, e subiram os imigrantes, que deram novo impulso a nosso desenvolvimento. Interligadas a ela surgiram inúmeras outras ferrovias, que expandiram as fronteiras agrícolas de nosso estado.

No entanto, diante dos inúmeros percalços surgidos durante sua construção, essa ferrovia só foi concluída pela grande coragem e patriotismo do já então Barão de Mauá. Diante do desinteresse dos ingleses em aumentar o capital da empresa, em vista da elevação dos custos, Mauá não titubeou e colocou dinheiro do próprio bolso, garantindo, assim, a finalização da mesma. Se essa ferrovia marcou o início do gigantismo de São Paulo, ela também foi a razão da fundação de nossa Vila de Paranapiacaba.

Após o término do contrato, a SPR passou a integrar o patrimônio nacional, como Estrada de Ferro Santos a Jundiaí, e mais tarde foi incorporada à Rede Ferroviária Federal. Mas, nessa época, já havia perdido sua grande importância como meio de transporte, pois já vivíamos na fase das rodovias.

Justamente por ter aberto as portas do Brasil para o futuro, Mauá enfrentou forte oposição por parte da elite cafeeira. Esta, que desfrutava de grande prestígio junto ao Imperador, usou de todos os meios para sabotar sua obra, temerosa de perder sua posição de destaque no cenário nacional. Os fazendeiros aplaudiram Mauá quando deu início ao transporte ferroviário, mas o esconjuraram quando foi muito além, mostrando que não só de agricultura deveria viver a jovem nação.

Não podemos nos esquecer, no entanto, de que, além de ter dado início ao “Brasil futuro”, Mauá também nos legou profunda lição, tão esquecida nos dias de hoje: a de um homem íntegro, justo, honesto, leal, sincero, corajoso, capaz, e, sobretudo, de profunda honra pessoal.

Diante de enormes problemas enfrentados e do boicote sofrido, chegou a perder praticamente toda sua fortuna. Mas não se abateu. Após saldar todas suas dívidas, terminou seus dias trabalhando como corretor cafeeiro, com a mesma altivez com que vivera.

Deixou o legado de homem de grande visão empresarial, porém, seu legado maior foi, sem dúvida, o moral. Fica-nos a lição de que se o empreendedorismo industrial conduz o país a um promissor futuro econômico, a solidez moral constrói uma grande nação, deixando aos filhos o caminho aberto para dias inabaláveis na construção de uma raça humana mais digna dos ideais de seu criador.

A IRINEU EVANGELISTA DE SOUSA
Barão e Visconde de Mauá,
nossa eterna homenagem.

  • Mauá, nome indígena, significa “aquele que é elevado”.
  • Há referência de que seu sobrenome “Sousa” grafa-se como “Souza”.
  • O dia de seu nascimento, 28-12, é o dia da Marinha Mercante Brasileira.
  • É também o patrono do Ministério dos Transportes.
  • Recebeu o título de Barão em 1854.
  • Recebeu o título de Visconde com grandeza em 1874, após a instalação do cabo telegráfico para a Europa.
  • É homenageado por inúmeros municípios, com nome em logradouros públicos, escolas, museus, etc.
  • Na região do ABC paulista é homenageado na cidade de Mauá.
  • No Estado do Rio de Janeiro temos a vila de Visconde de Mauá.
  • Já foi efígie em selos e moedas brasileiros.

Fonte:
Website: avilainglesa.com